INVESTIGAÇÃO SOBRE MORTES NA UTI AVANÇA PARA INSTAURAÇÃO DE NOVO INQUÉRITO


A
primeira fase da investigação contra os técnicos de enfermagem presos por supostamente matarem três pacientes ao aplicar altas doses de uma substância química diretamente na veia caminha para o fim e abre espaço para um novo desdobramento nas apurações: a busca por possíveis outras vítimas. Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos; Amanda Rodrigues de Sousa, 28; e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, passam agora a ser alvo de uma triagem ampliada da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que analisa denúncias encaminhadas por familiares de pacientes teriam sido atendidos por eles.

O inquérito em curso depende de elementos considerados centrais para ser concluído e encaminhado ao Ministério Público. Para os investigadores, não há dúvida de que os três profissionais de saúde agiram para matar a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75; o servidor dos Correios Marcos Moreira, 33; e o servidor da Caesb João Clemente, 63. A expectativa, agora, recai sobre os mais de 20 laudos periciais em andamento, sobretudo os extraídos de celulares e notebooks apreendidos nos endereços dos investigados.

Segundo a polícia, o material pode revelar trocas de mensagens suspeitas entre os técnicos, indicar a existência de outras vítimas e até expor registros em foto ou vídeo relacionados aos crimes. Marcos, Amanda e Marcela foram presos temporariamente em 12 e 15 de janeiro, por um período inicial de 30 dias. A medida pode ser prorrogada por igual prazo ou convertida em prisão preventiva, a depender da decisão judicial.

Enquanto os investigadores da Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP) aguardam a conclusão das perícias e aceleram para fechar o inquérito, familiares de pacientes que morreram durante internações em hospitais onde Marcos trabalhou passaram a procurar a polícia. Os relatos seguem um padrão semelhante: segundo os patentes, as vítimas deram entrada no Hospital Anchieta, foram atendidas por Marcos e morreram após paradas cardíacas súbitas.

A PCDF informou não haver, até o momento, um número consolidado de ocorrências registradas após a prisão de Marcos. O delegado-chefe da CHPP, Wisllei Salomão, explica o desdobramento. "Vamos instaurar um novo inquérito policial para apurar se outras mortes podem ter sido provocadas por eles. Mas não há nada comprovado. Estamos apurando todos os fatos relatados por familiares que nos procuraram. É algo preliminar, que exige aprofundamento na investigação", frisou.

As apurações também foram expandidas a todos que trabalham nos 100 leitos da UTI do Anchieta, a fim de apurar se há mais profissionais de saúde suspeitos de envolvimento nos crimes. "Todos que trabalhavam no leito são investigados. Mas, por enquanto, não há ninguém mais específico. Os autores também não delataram a participação de mais pessoas, mas este é o procedimento", destacou o delegado.

Desconfiança

A rotina de internação de Rosangela Mendes no Anchieta, 55, iniciada em janeiro de 2025 para tratar uma pneumonia, foi marcada por episódios que a família, agora, interpreta como sinais de alerta. Segundo a filha dela, a fonoaudióloga Letícia Mendes, 32, a mãe demonstrava um temor crescente no espaço e chegou a confrontar a equipe sobre falhas no atendimento, como a solicitação médica de exames e medicações que não lhe eram informadas e até uma sonda urinária mantida fechada — o que, de acordo com a própria paciente, à época profissional da área de saúde, poderia causar infecção.
INVESTIGAÇÃO SOBRE MORTES NA UTI AVANÇA PARA INSTAURAÇÃO DE NOVO INQUÉRITO INVESTIGAÇÃO SOBRE MORTES NA UTI AVANÇA PARA INSTAURAÇÃO DE NOVO INQUÉRITO Reviewed by Erivan Justino on sexta-feira, janeiro 23, 2026 Rating: 5

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