SETOR DE BONÉS NO RIO GRANDE DO NORTE ACUMULA PREJUÍZO DE R$ 2,9 MILHÕES
A indústria de bonés no Rio Grande do Norte enfrenta um revés financeiro expressivo após o cancelamento repentino de encomendas ligadas ao setor de apostas on-line. O impacto financeiro estimado supera R$ 2,9 milhões, colocando em risco a estabilidade de postos de trabalho e a sustentabilidade de fábricas instaladas na região do Seridó potiguar, especialmente nos municípios de Serra Negra do Norte e Caicó.
As fabricantes, que preparavam a produção de mais de 500 mil peças voltadas para campanhas promocionais e o Carnaval de 2027, foram surpreendidas pela interrupção dos contratos. A situação compromete não apenas o faturamento direto dessas indústrias, mas também a rede de pequenos produtores, costureiras e oficinas que dependem da dinâmica fabril local para sua subsistência.
Impacto direto no chão de fábrica
Entre as empresas afetadas, a WRL Bonés, em Serra Negra do Norte, contabiliza a perda de um contrato de 300 mil peças com a Esportes da Sorte, avaliado em R$ 2,1 milhões. Segundo a diretora Larissa Almeida, a decisão inviabiliza as contratações temporárias que seriam realizadas para atender à demanda de fim de ano, período em que o mercado local tradicionalmente apresenta menor movimentação.
O cenário se repete na DF Bonés e Chapéus, que estima perdas de R$ 850 mil, e na fabricante Marcos Daniel Vale, em Caicó, que lida com o desafio de reaproveitar estoques personalizados com logomarcas específicas das empresas de apostas. A inviabilidade comercial dessas peças prontas agrava o prejuízo operacional das fábricas.
Desdobramentos sociais e medidas de apoio
O Sindicato das Indústrias de Bonés e Chapéus do Rio Grande do Norte (Sindibonés RN) aponta que a falta de previsibilidade impediu o ajuste estratégico das empresas. Francisco Sena, presidente do sindicato, reforça que a região é um polo estratégico nacional e que a dependência de grandes contratos, sem diversificação prévia, deixou o setor vulnerável.
Diante da crise, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte (Sedec/RN) sinalizou que monitora o caso. O Governo do RN estuda oferecer suporte por meio da Agência de Fomento do RN, oferecendo crédito e capital de giro, além de incentivos pelo Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (Proedi). A intenção é auxiliar as indústrias na prospecção de novos mercados e na adaptação da capacidade produtiva para garantir a manutenção dos empregos e a sobrevivência das pequenas oficinas terceirizadas.
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Reviewed by Erivan Justino
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sexta-feira, outubro 23, 2026
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