ESCÂNDALO NO OESTE: PF APONTA RAMIFICAÇÃO DE SUPOSTO ESQUEMA LIGADO A ALLYSON EM APODI E PAU DOS FERROS
A investigação da Polícia Federal que colocou o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), no centro de um suposto esquema milionário na saúde pública ganhou novos e explosivos desdobramentos. Relatórios e gravações obtidos pela PF indicam que o modelo investigado não teria ficado restrito a Mossoró e pode ter se espalhado para outras prefeituras do Oeste potiguar, atingindo diretamente contratos em Apodi e Pau dos Ferros, segundo revela matéria publicada nesta sexta-feira pelo BLOG DO DINA.
As novas revelações fazem parte da Operação Mederi, deflagrada em janeiro de 2026, e expõem diálogos considerados comprometedores entre representantes da empresa Dismed e operadores ligados aos contratos públicos investigados.
Nos áudios, investigados falam abertamente sobre faturamentos, divisão de valores, “comissões de 15%”, atas de licitação e até mecanismos para dificultar a participação de concorrentes.
Em uma das gravações anexadas ao inquérito, um representante comercial da empresa afirma: “Chega mais outra de Apodi hoje”, seguido de referências a novos faturamentos e “saldo de contrato”.
Na sequência, os investigados discutem repartição de recursos que, segundo a interpretação da Polícia Federal, seriam destinados ao pagamento de propinas.
Outro trecho chamou atenção dos investigadores por mencionar que determinado gestor “gosta mais de papel”. Para a PF, a expressão seria uma referência ao fornecimento apenas documental de medicamentos — prática conhecida informalmente entre os investigados como “papel cagado”, quando há emissão de documentos sem entrega efetiva dos produtos contratados.
Licitação “preparada” e domínio de contratos
A situação se agrava ainda mais em Pau dos Ferros. Em outro áudio recuperado pela investigação, um dos investigados afirma que a licitação da cidade estaria “preparada”. A conversa aponta suposta manipulação do edital para inviabilizar a concorrência de pequenas empresas. “Botando os controlados no meio dos lotes” e “a gente engole ele”, diz um dos trechos transcritos pela PF.
Segundo os investigadores, a estratégia permitiu que a Dismed conquistasse cerca de 85% da licitação, em contratos que ultrapassariam R$ 700 mil.
A Polícia Federal sustenta que o grupo utilizava conhecimento prévio dos processos licitatórios e influência política para direcionar contratos públicos milionários na área da saúde.
O esquema das “caronas”
Outro eixo da investigação envolve o uso das chamadas “caronas” — mecanismo que permite que municípios utilizem atas de registro de preços de outras cidades sem necessidade de abrir nova licitação.
Segundo a PF, empresários ligados ao grupo ofereciam adesões prontas a prefeitos e secretários municipais, prometendo rapidez na contratação e facilidade burocrática. Em uma das mensagens recuperadas do WhatsApp da Drogaria Mais Saúde, empresa também ligada ao núcleo investigado, um interlocutor fala em “parceria bacana” com gestores públicos.
Em outro trecho considerado altamente comprometedor, um dos investigados afirma: “Toda carona você tem o seu”. Para os investigadores, a frase sugere expectativa de pagamento de vantagens indevidas em cada adesão realizada.
Contratos milionários e avanço da investigação
Os números sob investigação impressionam. Apenas em Apodi, os contratos atribuídos à Dismed entre 2023 e 2025 somariam pelo menos R$ 1,33 milhão. Em Pau dos Ferros, os lotes vencidos pela empresa ultrapassariam R$ 969 mil.
Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu computadores, documentos, atas de registro de preços, processos licitatórios, contratos e arquivos compartilhados entre empresas investigadas. O material, segundo os investigadores, reforçaria a existência de uma estrutura articulada para operar contratos públicos na saúde.
Rede política sob pressão
O avanço da investigação também aumenta a pressão política sobre o grupo liderado por Allyson Bezerra, hoje um dos principais nomes colocados para a disputa do Governo do Rio Grande do Norte em 2026.
Os prefeitos Marianna Almeida, de Pau dos Ferros, e Sabino Neto, de Apodi, já declararam apoio público ao projeto político de Allyson. O ex-prefeito de Apodi, Alan Silveira, também rompeu com o governo estadual e aderiu ao grupo do ex-prefeito de Mossoró.
Parte dos contratos agora investigados, segundo a reportagem, foi assinada justamente durante as gestões de Alan Silveira e Sabino Neto.
Operação segue sem denúncia formal
Apesar da gravidade das informações reunidas até agora, a Polícia Federal ainda não apresentou denúncia formal contra os investigados, e não há condenações judiciais no caso.
Mesmo assim, os novos elementos da Operação Mederi ampliam o alcance político do escândalo e colocam sob forte desgaste o discurso de eficiência administrativa que Allyson Bezerra tenta consolidar como principal vitrine de sua pré-candidatura ao Governo do Estado.
ESCÂNDALO NO OESTE: PF APONTA RAMIFICAÇÃO DE SUPOSTO ESQUEMA LIGADO A ALLYSON EM APODI E PAU DOS FERROS
Reviewed by Erivan Justino
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sexta-feira, maio 15, 2026
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