ACUSAÇÕES E DENÚNCIAS MARCAM A RETA FINAL DAS ELEIÇÕES PARA A OAB NO RN


As eleições para a presidência da seccional do Rio Grande do Norte da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), marcadas para o dia 28 de novembro, chegam à reta final com denúncias e acusações envolvendo as três chapas concorrentes. O processo se transformou em uma espécie de espelho das eleições gerais de outubro deste ano.
A propagação de ataques entre os candidatos é o principal assunto das conversas entre a classe advocatícia nas redes sociais, escritórios ou mesmo nos corredores das diversas instâncias da justiça potiguar. Os termos “eleições” e “OAB/RN” registraram aumento de 75% nos últimos dois dias, segundo a plataforma Google Trends. Ao digitar “fake news” e “OAB RN” no campo de pesquisa do Twitter vai se encontrar uma dezena de postagens relacionadas às eleições da ordem.
Concorrem ao cargo o atual presidente Paulo Coutinho (Chapa 10), a procuradora do Estado Magna Letícia (Chapa 20) e o advogado Aldo Medeiros (Chapa 30). A próxima diretoria da ordem vai comandar a seccional potiguar de 2019 até 2021. A estimativa é de que 6,3 mil advogados participem do pleito.
A mais recente contenda da atual disputa é a ação movida pela chapa 30 contra a candidatura do atual mandatário, Paulo Coutinho, versando sobre uso de poder abuso de poder e utilização de propaganda irregular. A oposição argumenta que o grupo situacionista contratou uma empresa para realizar disparos de acusações contra os opositores no WhatsApp.
Outra ação da chapa 30 pede a impugnação de Paulo Coutinho, da chapa 10, sobre a possível falta de prestação de contas da OAB do ano de 2017. Esta ação, por sinal, ainda será apreciada pela Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB). Já o grupo da situação acusa os opositores de formar um “acordão”, em referência aos agrupamentos de diversos grupos políticos em processos eleitorais, para desestabilizar a gestão da OAB potiguar.
Para o advogado Joanílson de Paula Rêgo, presidente da seccional entre 2004 e 2006, o clima beligerante da disputa eleitoral passa longe do espírito democrático da categoria. “Eu vejo que há uma grande contaminação do clima político nacional na disputa para a presidência da OAB. Se política é consenso, se política é diálogo, se tem como interesse o bem comum, as radicalizações estão completamente longe da realidade dos processos democráticos”, considera ele.
Ainda de acordo com ele, a Ordem dos Advogados deve manter uma posição vigilante da democracia, e não se pautar por disputas com “chutes nas canelas” dos adversários. “A Ordem tem papel importante na defesa da democracia e nos interesses do Brasil, e isso deve se refletir no próprio processo eleitoral. Devemos olhar para alto e não nos perdermos em imediatismos das disputas menores”, completa.
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Romário Bispo