JOVENS OPINAM SOBRE O CONTROLE DO PORTE DE ARMAS DE FOGO NO PAÍS

O governo brasileiro pode realizar este ano mudanças nas leis de controle de armas, depois de 15 da sanção do Estatuto Nacional do Desarmamento. O espinhoso assunto é tema de um acalorado debate sobre a possibilidade de mudanças nas restrições ao uso e comércio de armas. A violência cotidiana é um dos motivos da retomada nas discussões sobre o porte de armas.
Com a crescente no número de assassinatos, os jovens se mostram cada mais interessados no tema. Vale lembrar que, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Brasil é o sétimo país que mais mata jovens. O país tem taxa média de homicídios entre jovens (entre 13 e 24 anos) estimada em 22,1 assassinatos para cada grupo de 100 mil.
O professor de Física, Helton Mendes, de 26 anos, é favorável a regularização e usa o argumento moral. “A liberdade individual deve ser respeitada sempre de forma que se uma pessoa adquire uma arma de fogo por vontade deverá, então, ser de total acordo com as responsabilidades que assume”, justifica.
Ele acredita que, caso legalizada, a posse não “geraria grandes conflitos” na sociedade. “Muitas pessoas possuem armas de maneira ilegal hoje em dia. Mas também não considero que essa ação isolada seja solução a qualquer problema que nossa sociedade enfrenta””, afirma.
Mesmo já tendo passado por situações de violência, onde teve uma arma apontada para si, o professor crê que é possível implementar a legalização “em um curto prazo”, criando “leis e um sistema judiciário que consiga punir de forma exemplar aqueles que infligem a lei ameaçando a vida de outras pessoas”. Tendo uma visão mais ampla, Helton visa uma equidade social, que minimizaria a “introdução de novas pessoas ao mundo do crime” e diminuiria a criminalidade.
Formada em Ciências Sociais e estudante de Pedagogia, Suzana Martins, de 22 anos, pensa diferente. Para ela, “o Brasil não é um país culturalmente organizado para que a sociedade civil tenha porte legal de armas”. Vítima de assaltos por diversas vezes, Suzana acredita que a legalização poderia causar um caos no país.
” Acredito que o porte de armas vai gerar mais violência. Violência gera mais violência. Se eu tenho uma arma e sou assaltada, por exemplo, eu posso me defender, mas essa ação poderá atingir outras pessoas inocentes”, diz. De acordo com a socióloga, para que alguma mudança seja efetuada no Estatuto do Armamento, seria preciso, primeiramente, um planejamento prévio que seria muito bem executado.
“Seria necessária uma mudança de cultura e pensamento, mas isso é algo que não vai mudar, pois é o padrão-cultural da nossa sociedade. O padrão continua, apenas algumas coisas vão mudando e se adequando. Mas eu sou completamente contra, pois nossa sociedade não está preparada para esta mudança”, diz. Suzana afirma que a solução para a violência poderia ter foco em uma mudança no sistema de segurança pública, capacitando mais profissionais, ao invés de armar pessoas despreparadas.
O controle de armas de fogo será tema de um evento realizado pelo Agora no Hotel Holliday Inn, a partir das 8h do dia 30 de maio deste mês. O Agora RN em Debate trará especialistas no assunto que poderão discutir sobre temas voltados à sociedade de forma dinâmica, interativa e inovadora.
Representantes de dez organizações governamentais e não-governamentais estarão presentes para apresentar mais argumentos e enriquecer o debate. No final, os convidados irão votar para decidir quais argumentos apresentados são mais convincentes.
Os interessados em participar do evento podem se inscrever através do site www.agorarn.com.br/agoraemdebate.
JOVENS OPINAM SOBRE O CONTROLE DO PORTE DE ARMAS DE FOGO NO PAÍS JOVENS OPINAM SOBRE O CONTROLE DO PORTE DE ARMAS DE FOGO  NO PAÍS Reviewed by Erivan Justino on 14 maio Rating: 5
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Romário Bispo