“EDITAL DO CONCURSO DA PM RN DEVE SAIR AINDA EM JUNHO, COM 600 VAGAS”, DIZ SECRETÁRIA


IMG_8030À frente da Secretaria de Estado de Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed), há quase dois meses, a delegada Sheila Freitas comentou problemas da segurança no Rio Grande do Norte e divulgou ações que estão sendo feitas para combater as altas taxas de homicídio no estado. Para a secretária, o maior desafio da pasta é combater o tráfico de drogas, bem como o crime organizado. Sheila afirmou que a falta de efetivo é um dos entraves para melhorar a segurança e anunciou que o edital do concurso para Polícia Militar deve ser divulgado até o final do mês de junho.
Sheila Freitas criticou as audiências de custódia do judiciário. Ela disse que 70% dos crimes cometidos são de pessoas que já tiveram passagem pela polícia. “A PM e Polícia Civil nunca prenderam tanto. Desses 25% são jovens de 12 a 17 anos, que nem ficam internados na maioria das vezes, e saem da delegacia rindo do policial que arriscou a vida para prendê-lo. A certeza da impunidade é grande, e isso fomenta o aumento da criminalidade”, disse a delegada. Um convênio com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Governo Federal, que possibilitará o pagamento de R$ 3 milhões em diárias operacionais para a polícia, não tem perspectiva de chegar aos cofres estaduais, segundo Sheila Freitas. “Já era para ter chegado, os problemas foram as mudanças operadas em Brasília, a mudança de ministros. Está tudo assinado, mas não há previsão”, confirmou Sheila Freitas.
A Sesed omite dados sobre a segurança pública, como número de homicídios? A Sesed não tem interesse em de camuflar nenhum dado. Os dados de homicídios são abertos, os corpos são levados ao ITEP e lá tem uma contagem que é feita. O interesse da secretaria é a redução desse número de homicídios, trabalhar para reduzir. A gente precisa divulgar para contar com o apoio da imprensa e da população. Muitas vezes, tem um homicídio e pedimos à imprensa para ligarem no 181 e colaborarem.
Na semana passada tivemos mais um Policial Militar assassinado. Não observamos os índices de violência reduzindo no Rio Grande do Norte. A que vocês atribuem isso?
São vários fatores. Para se reduzir a criminalidade precisa de muita coisa. Uma delas é um efetivo maior de policiamento, não haver a quantidade de fugas (do sistema prisional) que estão acontecendo. A cada dia a gente tira muitas armas de circulação mas a bandidagem está muito armada e tudo isso associado ao tráfico de drogas. O pessoal está matando para roubar um celular. Imagens mostram que o policial estava falando no celular e foi caminhando até o carro, e foi justamente essa displicência dele que chamou atenção. Os bandidos estão procurando quem esteja mais vulnerável e aquela hora da manhã ele parecia ser uma pessoa vulnerável. Na hora da ocorrência devem ter percebido que ele estava armado. O ataque não foi a um policial e sim a um cidadão. Infelizmente o número não está reduzindo porque aumentou a criminalidade, diminuiu o número de policiais por causa das aposentadorias. O governo está a cada dia lutando para que saiam concursos públicos para novas contratações.
Chegamos a uma situação que uma pessoa não pode usar um celular na rua…
Eu contesto o que você está dizendo. Toda hora vemos pessoas usando celulares nas ruas e elas não são mortas e nem roubadas. Temos uma parcela que depende de horários e locais. Temos que ter cuidado com essas notícias. O momento e local favoreceram. Existe uma criminalidade grande mas não existe um bandido por pessoa.
O perfil dos criminosos mudou?
A mudança diz respeito a globalização do crime. Antigamente o homicida só matava, era o pistoleiro, outro só fazia roubo de banco, traficava, cometia pequenos furtos nas feiras e locais públicos, o estuprador e isso mudou. Com o incremento do consumo e tráfico de drogas, que reputo como maior causa da criminalidade, porque o tráfico dá o dinheiro muito rápido, isso tudo aliado ao desemprego, falta de escola, desestrutura da escola e familiar, tudo é um questão que tem uma base social. Os estudos apontam que a criminalidade vem crescendo a medida que as políticas públicas sociais estão falhando. Ainda temos um sistema criminal, com leis antigas que se pode dizer que o crime compensa, porque os criminosos praticam os crimes e logo cedo estão nas ruas. A gente verifica que 70% dos crimes cometidos são reincidentes. Temos um exemplo desse ano, que uma pessoa foi presa em janeiro por porte ilegal de arma e depois solta, em fevereiro por outro porte de arma e solto, em março foi pego por tráfico. Preso em três bairros diferentes, Cidade Alta, Rocas e Nossa Senhora da Apresentação, é um exemplo de como essa pessoa circulou em nossa cidade, ela podia ter matado pessoas e a gente ainda não ter identificado.
Como a Sesed acompanha essa situação? Qual a resposta é dada?
Existe o que chamamos de mancha criminal, temos um mapeamento de onde está acontecendo mais roubo, furto, tráfico e morte. Em Natal houve um acréscimo do ano passado pra cá e em Parnamirim houve uma diminuição. Onde tem atuação da polícia, há uma redução, mas o crime migra. Na maioria das cidades onde houve uma acréscimo de homicídios foi onde ocorreram chacinas. Hoje temos o bairro de Nossa Senhora da apresentação, na zona Norte, como o mais violento e intensificamos os trabalhos lá. Atuamos de acordo com as manchas criminais. Em Felipe Camarão houve uma redução porque no ano passado era o bairro mais perigoso e fizemos um trabalho lá. A Força Nacional está localizada em Felipe Camarão, mas hoje atua em Nossa Senhora da Apresentação e Ceará-Mirim. Outro bairro, Cidade da Esperança, houve uma redução. O ideal era que tivéssemos o número de policiais ideal para cobrir todas as regiões, mas não temos, mas isso não é culpa dessa gestão. Estamos sem concurso há anos, e esse ano o governador (Robinson Faria) fez uma coisa que nenhum outro fez, concurso pra bombeiro, soldado e oficial e ainda vai sair para Polícia Civil, Polícia Militar e ITEP.
Quando vai ser publicado o edital para a Polícia Militar?
A gente acredita que em junho ainda, tanto para soldados como oficiais, são 600 vagas.
Como se combate a ação do tráfico onde a polícia não entre constantemente?
Não temos ilhas de excelência dominadas por facções. Sabemos que existiam redutos como Mãe Luiza e comunidade do Mosquito, mas a polícia entra na hora que precisa. O que falta entrar nessas comunidades não é a polícia. O que falta são ações sociais dentro dos redutos, são bairros periféricos que foram relegados pelo serviço público, falta escola, moradia, esgoto, iluminação, emprego, é todo um somatório que leva as periferias a ter o maior índice de criminalidade, tanto acontecendo lá como exportando, quando os moradores estão saindo dos bairros para cometer crimes.
Quais são as ações preventivas?
De várias formas. O policiamento ostensivo nas ruas, blitze, trabalhos investigativos monitorando os grandes traficantes. Não tem como monitorar os pequenos traficantes, a ideia é pegar o maior porque ele alimenta. Os pequenos muitas vezes nem portam a droga, eles são a a ponta que aumenta os números na cadeia ou são liberados logo.
O que é mais urgente, investir em investigação (Polícia Civil) os ostensividade (Polícia Militar)?
Tudo é urgente. A Polícia Militar conta com 8 mil homens e ela precisa de 14 mil. A polícia investigativa tem 1.400 e precisa de 5.300, e também é urgente. Está se usando uma estratégia de dar um reforço maior ao DHPP, pois estamos vendo que o número da divisão de homicídios estão no contra fluxo da violência, sobretudo em todo o estado. Esse ano em Natal, ocorreram menos de 300 homicídios, e como a divisão legalmente só atua em Natal, teve uma resolução de 50%. Todas foram investigadas, mas a metade foi resolvida, foi um índice nunca visto. Uma coisa é ter um crime que aconteceu em um local com câmeras e pessoas que viram e queiram falar, outra é ter em uma mancha criminal em que quando chega lá, ninguém sabe e nem viu, muitas pessoas modificam a cena do crime antes da polícia chegar, tiram até projéteis.
O modelo das Áreas Integradas (AISP) ainda é utilizado? Ele é eficaz para o atual momento que vivemos?
Sim. A dificuldade que ela passa é que é do registro da perda de documentos nas delegacias, quando ela devia só se ater a crime. Perda de documento é uma prestação de serviço importante para a sociedade, mas na hora que a delegacia gasta 40 a 50% do tempo para registrar esse tipo de ocorrência, quando isso pode ser feito pelo site.
Tribuna do Norte
“EDITAL DO CONCURSO DA PM RN DEVE SAIR AINDA EM JUNHO, COM 600 VAGAS”, DIZ SECRETÁRIA “EDITAL DO CONCURSO DA PM RN DEVE SAIR AINDA EM JUNHO, COM 600 VAGAS”, DIZ SECRETÁRIA Reviewed by Erivan Justino on 12 junho Rating: 5
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Romário Bispo